Enrolados é o 50° filme dos estúdios Disney e foi baseado na famosa história de Rapunzel.
Não se sabe ao certo qual a verdadeira origem da história (em qual país ou qual autor a criou), a única coisa que afirmo é que a história surgiu na Europa e houveram 3 (4) principais autores, sendo que um (2) dos autores nós sabemos que “criou” apenas uma versão (transcrição) de uma história já existente e inclusive publicada. Essa versão é a versão dos Irmãos Grimm. A verdadeira disputa da autoria da história talvez fique entre dois autores; o italiano Giambattista Basile, que escreveu Petrosinella em 1637, e a francesa Charlotte Rose de Caumont de la Force, que escreveu Persinette em 1697 (apenas à caráter de informação, a versão da francesa foi a base dos Grimm e é a versão que nós conhecemos hoje), porém, independentemente de qualquer coisa, nós sabemos que naquela época as histórias eram mais contadas verbalmente e é muito difícil identificar um “verdadeiro” autor da história, pra falar a verdade o verdadeiro autor, nós provavelmente nunca saberemos quem foi, sendo assim, é mais conveniente apenas identificar esses autores citados como pessoas que fizeram as suas próprias versões de uma mesma história já contada e recontada na época em que viveram.
Voltando ao filme, na versão dos estúdios Disney os roteiristas quiseram inovar... E conseguiram!
Apesar de ser uma história bastante antiga, nós temos uma perspectiva nova e melhor trabalhada do romance e das aventuras do casal apaixonado.
O filme se inicia com o protagonista Flynn Ryder (Eugene) nos narrando o começo da história, ele nos conta que há muito tempo uma gota do Sol caiu na Terra e essa gota brotou criando assim uma flor mágica, que possuía certos poderes, porém, uma senhora (Gothel) descobriu essa flor e a escondeu de todos. Gothel usava uma espécie de encantamento para ativar os poderes da flor. Ela cantava uma canção, assim a flor mágica a deixava mais jovem, e ela fez isso por séculos. O tempo passou e um reino nasceu perto de onde a flor brotou. Tudo estava bem, até que um dia a rainha, que estava grávida, ficou doente e nada poderia salva-la, exceto talvez por uma certa flor...
Todo o reino ficou preocupado (já que a rainha e o rei eram muito bons), todos partiram então em busca da flor mágica. Alguns soldados a encontraram e levaram para a rainha. Com a flor eles criaram um remédio, e a rainha o bebeu, salvando assim a si mesma e ao bebê. Quando a criança nasceu, Gothel, com muito ódio por terem pegado a flor mágica, conseguiu entrar no castelo. Ela foi ao quarto da princesa recém nascida e quando cantou a canção que ativa os poderes da flor perto da criança o cabelo da garota brilhou, ela obteve assim o mesmo resultado que obtinha anteriormente com a flor mágica. Gothel então tenta cortar o cabelo da criança, mas quando ela corta uma mecha, o cabelo volta ao normal, fica castanho e sem poderes, ela então sequestra a criança e passa a viver com a princesa numa torre e finge ser sua mãe....
A inovação do filme está relacionada diretamente à personalidade das personagens, e à dinâmica em que a história nos é apresentada.
Rapunzel, por exemplo, é uma garota bastante moderna, que pratica várias atividades, é extremamente inteligente, procura estudar e entender o mundo a sua volta, é aventureira, está longe de ser frágil e não espera que ajam por ela, ela costuma muitas das vezes tomar a iniciativa. Tudo isso a torna uma personagem bastante carismática e interessante.
O príncipe, que na verdade não é um príncipe, é um ladrão, também trouxe um aspecto positivo pra história, que obviamente não é o de ser ladrão, mas sim o de não ser um príncipe. Ele não chegou num cavalo branco (na verdade ele chega fugindo de um cavalo branco), de perfeito não tinha nada, tudo bem que tinha uma aparência bacana e era atlético, ou seja, tinha suas qualidades, mas o importante a ressaltar é mostrar que a perfeição talvez esteja em não ser perfeito e talvez em ser uma pessoa “comum”, uma pessoa “normal”.
A vilã, ao invés de bruxa perversa que tem como único objetivo fazer o mal e prejudicar ao próximo, está bem mais próxima do real e daquilo que vemos tão comumente hoje em dia. Ela na verdade é uma pessoa que só pensa em si mesma, que pra satisfazer os seus desejos e suas vaidades não pensa duas vezes antes de ferir, antes de magoar, antes de passar por cima de tudo e de todos a sua volta pra conquistar seus objetivos. O seu “eu” está acima de qualquer coisa, a sua vontade é o que importa, o resto não é nada, não tem significado algum. Na cabeça (mente), deste tipo de pessoa o outro só existe para servir, pra satisfazer suas próprias vontades, o outro não é um semelhante, é apenas uma ferramenta que pode (e deve) ser usada para satisfazer aos seus próprios desejos e vontades.
Vamos agora as diferenças do filme em relação ao conto dos irmãos Grimm:










































