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21 novembro 2011

Crônica



H:- Oi.
M:- Oi.

H:- Eu estava te olhando de longe... Você vem sempre aqui?
M:- Só quando eu estou com vontade de fazer xixi. Quem te deixou entrar no banheiro das mulheres?
H:- Entrei escondido queria falar com você.
M:- Não podia esperar eu terminar primeiro?
H:- É que eu sou muito ansioso... Não é sempre que se encontra a mulher da nossa vida numa festa de formatura.
M:- Mulher da vida de quem?
H:- Da minha vida.
M:- Que espécie de maluco é você?
H:- O homem da sua vida! 

24 fevereiro 2011

Namorados

O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:

-Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com sua cara.

A moça olhou de lado e esperou.

-Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listrada?

A moça se lembrava:

-A gente fica olhando...

A meninice brincou de novo nos olhos dela.

O rapaz prosseguiu com muita doçura:

-Antônia, você parece uma lagarta listrada.

A moça arregalou os olhos, fez exclamações.

O rapaz concluiu:

-Antônia, você é engraçada! Você parece louca.



Manuel Bandeira

10 janeiro 2011

Ta cheio, moço!

Calor humano, adrenalina em cada curva, ansiedade, muita ansiedade. Não, isso não é descrição de uma corrida de F1, é de um ônibus num dia daqueles!

Faltavam aproximadamente dez minutos para as seis da tarde. Sol forte contra os reles mortais que esperavam no ponto de ônibus desprovido de qualquer coisa que pudesse fazer sombra. Esperávamos pelo bom e velho amarelinho, ou quem sabe um azulzinho em bom estado de conservação. Passava boi, passava boiada (leia-se bicicleta, carro e moto) e nada do ônibus. Só então escutamos um barulho familiar, um roncar do motor, e como que ensaiado, vasculhamos nossas roupas e bolsas a procura de dinheiro ou passe para ônibus. Para só depois notarmos os olhos curiosos de dentro do transporte, talvez nos fuzilando, condenando nossa ação.

Fomos passando, enroscando em cabelos, levando sacolas e bolsas, pisando no pé de um e de outro.  "Licença", "Desculpe", "Ai": coisas muito comuns de se ouvir numa ocasião como esta.
Não havia lugar para sentar, talvez nem queríamos. Quem já levou bolsada no rosto sabe como é bom sentar num ônibus lotado. Mais seguro, talvez, é esperar ansiosamente pelo seu ponto para saltar.

Primeira parada. A lei da inércia não nos atingiu como queria; era tanta gente que foi como se fossemos uma massa só, um grupão de lactobacilos vivos bem agarradinhos dentro de um potinho de Yakut.
De fora o pessoal parado no ponto de ônibus viu nosso olhar de súplica para que não atrevessem a se aproximar da porta, que, diga-se de passagem, havia uns três pendurados.

Segunda parada. Poucas pessoas haviam descido, e quem teve sorte foi se apertando mais para frente. Eu, como sou muito sortuda, fui parar perto de um cara que me lembrava muito o poster de Jogos Mortais 5.
Estava calor, muito calor. Entrava pouco vento pela janela, já que o ônibus, pesado como estava, não ia muito rápido. Mulheres cochichavam, homens demonstravam cansaço. Só queríamos chegar logo em casa.

Terceira parada. Quase chorando olhamos para as pessoas que ameaçavam entrar no ônibus. Então, lá de trás, um daqueles rapazes pendurados na porta de embarque dá seu grito da independência, seu golpe de misericórdia desferido ao motorista:

__Ta cheio, moço!


Por Prii.

06 maio 2010

Nada mais.


Folhas secas. Era o que ele tinha nas mãos. Apenas folhas. Mais nada.

Ela sempre se preocupou com o fato de ele nunca dizer o que pensava sobre o futuro, para ele não importava, contanto que estivesse com ela. Nada importava quando ele estava com ela. Mais nada.

Conheceram-se numa manhã, não se sabe a data nem o que os dois estavam fazendo, mas foi daí que o amor nasceu, de uma vez, simplesmente. Então ela se viu presa naqueles olhos castanhos e ele naquelas pintinhas que ela carregava em cima do nariz.

Mas então em outra manhã ela estava se perguntando por que de continuar com isso, se ele não lhe contava o que pensava sobre o futuro. Sempre era a mesma questão. “Que diferença faz?” ele dizia. E ela calava-se. Não queria perdê-lo. Adorava-o. Mas a pergunta ecoava em sua mente a ponto de às vezes não conseguir dormir a noite.

Rachel fazia Enfermagem. Pretendia trabalhar com médicos cirurgiões, ter uma boa casa, uma família grande, quem sabe um cachorro. Diego fazia Letras. Nada mais.

Angustiava-a vê-lo tão despreocupado, estando num mundo tão concorrido, tão cruel e sanguinário visto pelo ponto de vista dela. Diego sempre sorria ouvindo ela resmungar essas coisas. Ele a amava. Amava tanto a ponto de não discutir, pois pensavam de forma completamente diferentes. Ele apenas ouvia.

Numa outra manhã ele ficou sem chão. Rachel resolveu terminar. Simplesmente. E ele não entendeu o que o futuro influenciava no seu relacionamento. Sempre achara que o futuro nunca chegaria, pois sempre viveu no presente e o passado era apenas o que havia vivido um pouco antes.

Naquela tarde ele não sentiu fome. De noite não conseguiu dormir. Tentava telefonar para Rachel mas ela não atendia. Ele ficou só. Ficou triste.

Ele havia perdido o grande amor de sua vida.

Agora ele estava ali, sentado debaixo de uma árvore segurando folhas. Eram as únicas coisas que ele tinha em suas mãos. Nada mais.

 
Por Prii

26 abril 2010

A menina e a borboleta

Estava ela no jardim. Como sempre, as manhãs estão quentes demais para ficar presa à sua torre apenas a observar o corre-corre das folhas, o bater de asas, o uivar de ventos.
Chama-se Amélia, uma doce menina de grandes olhos curiosos e cabelos finos castanhos claros, sempre presos e arrumados.
Achava-se debaixo de uma árvore, encostada ao tronco lendo um livro antigo que pegou no castelo onde mora sua vó. Estava entediada. O livro não era tão bom, não tinha fantasia, o que mais gostava. Então decidiu inventar a história que deveria ser escrito naquele livro.
Levantou-se, derrubando as folhas presas ao vestido, e olhou em volta. O jardim era composto por inúmeros tons de verde, flores magníficas onde poderiam abrigar fadas, – quem sabe ali não era a cidade delas?! – pensou.
Foi então que notou uma presença. Era pequena, leve, fantástica. Um serzinho flutuava, bailava, mostrava-se para quem quisesse ver.
– É ela, a rainha das fadas.
A borboleta voava de flor em flor, batendo as asinhas de forma teatral, como um fantoche. Fazia pequenas paradas, pequenas danças, pequenas cambalhotas. Era uma pequena borboleta laranja.
A menina ficou ali, paradinha, sorvendo com os olhos aquela imensa fantasia. Até que sentiu um calorzinho no coração, aquilo tudo era muito bom para ser verdade.
– Como era bom parar para ver nas pequenas coisas uma grande história. – pensou a menina, com carinho.

Minha pequena crônica. :)
Por Prii

29 março 2010

Borboleta

"Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instante pensei que fosse uma bruxa ou qualquer outro desses insetos que fazem vida urbana; mas, como olhasse, vi que era uma borboleta amarela..."


Um 'cadim' da crônica de Rubem Braga.

28 março 2010

Missões

... e ele achava que era feliz.
Era bem financeiramente, fisicamente, bom em relacionamentos, em se comunicar, não faltava as reuniões familiares, nem as dos pais e mestres. Estava bem, pelo menos era o que parecia. Achava que já tinha cumprido sua missão na Terra, a de viver bem e deixar uma gorda herança à sua família. Mas em seu interior imperava as dúvidas, os medos, angústias. Nada fazia sentido, ele não tinha prazer na vida. Nenhum bem material conseguiu satisfazê-lo por muito tempo.
Ele morreu.
Deixou uma família aparentemente estável. Mas aí é que morava o perigo.
Meses depois seus filhos se envolveram com coisas ilícitas, sua mulher procurou consolo em bebidas, seu império construído com tanto trabalho estava se destruindo. E um dos causadores desse mal foi seu vizinho.

O vizinho vivia bem. Tinha uma pequena família, um pequeno salário, um carro compacto, um casa de poucos cômodos, mas era realmente feliz. Estava sempre na igreja, era sorridente, tinha suas orações atendidas... mas não era o suficiente.
Ao saber da morte do seu amigo, vizinho chegado, ficou desesperado. Era seu trabalho, seu dever falar da verdadeira felicidade para aquela família que aparentemente tinha tudo o que precisava, mas lhes faltava algo: o Amor. O Criador dos céus e da Terra, o Pai Eterno...
Mas o tempo acabou, não voltava mais. O que restava era cumprir a missão que lhe foi dada. "Ide e pregai o evangélio a toda criatura". Era o que ele iria fazer, e não queria falhar.


Fazer missões não é só ir à países longíquos, não é só sair de casa para ir ao nordeste ou ao sul do nosso país. Fazer missões é falar do amor de Deus para nosso vizinho. É dar uma palavra de consolo ao seu colega de trabalho, é contar sobre as maravilhas que estão sendo feitas na sua vida para o carteiro do bairro. É amar seu próximo, e esse próximo não é aquele índio quase inalcansável no meio da Amazônia, o seu próximo pode ser seu pai que não conhece a Deus, ou sua tia que mora atrás da tua casa.

Pense nisso, fomos criados para falar do amor do Senhor às pessoas.


Por Prii.

12 novembro 2009

Verão



Fiquei com peso na consciência por ter postado algo tão simples hoje de manhã, então para melhorar vou colocar alguns trechos de um texto de Luís Fernando Veríssimo (adoroo):

•Chegou o verão!

Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura
e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.

Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água
da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.
(...)
Mas o principal ponto do verão é.... A praia!

Ah, como é bela a praia.
(...)
Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.

Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a
prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.
(...)

Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três
geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa,
toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de
férias.
Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados
e prontos pra enterrar a avó na areia.

E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação,
as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os
adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.

As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho
afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do
chinelo.
(...)

A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o
chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.

Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!!
(...)

Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma
banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo.

O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa,
desde creme de barbear até desinfetante de privada.

(...)
Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e
torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo
possa se encontrar no mesmo inferno tropical...

O texto completo você encontra aqui: http://www.pensador.info/frase/NTQ1NzA3/

Por Prii.