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02 setembro 2013

Bienal Online + Trecho de livro 5 e uma novidade

No quinto dia da Bienal Online você vai conhecer a Márcia Albuq, que está lançando seu segundo livro hoje aqui na Bienal. Acompanhe pelo facebook todas as atividades do lançamento, e agora leia o primeiro capítulo de "Comprometida", a primeira obra da Márcia.

A novidade está no fim desse post.



“Não sabia se seria o início ou o meu fim, mas tinha certeza que jamais seria a mesma depois daquela temporada.”

     
        Chegada


Se luz é um bom sinal, tenho certeza que chegamos com bons ares ao litoral da Paraíba, uma cidadezinha de praia no meio do nada, o sol estava literalmente fervendo. No primeiro instante percebi que se tratava de uma cidade ensolarada, banhada por águas cristalinas e muito calor. Estamos em pleno verão, muitas pessoas iriam aproveitar as férias, a praia estará lotada, ideal para uma comunidade de ciganos nômades que ganha a vida com o comércio. Esse foi meu primeiro pensamento ao olhar pelas frestas da cortina do carroção.
Despertamos muita curiosidade e instigamos vários olhares, pois somos no mínimo para quem nos olha ‘misteriosos’, e isso faz parte do nosso cotidiano em cada cidade que nos instalamos. Costumamos despertar interesse e fazemos uso de todo esse mistério que nos cerca, seja por nossas danças, por nossos costumes, ou mesmo, por nossa vida um tanto desregrada para muitas pessoas. Ao passar pela cidade podemos perceber as conversas e olhares das pessoas curiosas, eufóricas com a nossa chegada, querendo saber quem somos e o porquê de estarmos ali.
Seguimos caminho por entre a mata descampada da região para encontrar a propriedade “Estrela Nova”. Esta propriedade é uma terra cigana, pertencente a um membro do nosso clã que se estabeleceu na região do sul, mas que a deixou nas mãos do meu avô caso precisasse assentar naquela região. Apesar de muito grande, em toda a área só existia uma identificação que era uma placa com o nome da propriedade. Ao pararmos em frente, pude afastar a cortina do carroção e olhar o horizonte, o verde da mata se encontrando com uma linhazinha do mar ao longe, era realmente, a imagem mais linda que tinha visto nos últimos tempos.
O sol brilhava forte, saímos dos carroções e começamos a assentar, minha família e as várias outras que compunham nossa comunidade. Não existia portão ou muro que demarcasse a área, ela era aberta e a imagem daquele lugar era a natureza por toda parte, árvores com frutas que eram exibidas de forma atraente e apetitosa, pássaros e ao longe o mar. Em um espaço formado entre as árvores, os homens do nosso clã tomaram toda a manhã para retirar o mato e deixar a areia branca e firme, pois precisávamos de um espaço em que pudéssemos parar os carroções em círculo.