O dia de hoje é especial na Bienal Online, porque "A mensageira", livro que Márcia Albuq, está sendo lançado. A seguir, com exclusividade, o primeiro capítulo do livro.
No blog "O reino de Betra" você confere a entrevista de Márcia sobre sua nova obra, e logo mais a noite, 19h, você pode participar do bate papo com ela, através do facebook da Bienal.
Convite
No blog "O reino de Betra" você confere a entrevista de Márcia sobre sua nova obra, e logo mais a noite, 19h, você pode participar do bate papo com ela, através do facebook da Bienal.
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Enquanto Sophi tentava se concentrar sobre uma pilha de livros expostos em uma das mesas da Praça do Suicídio, como é conhecida no bloco de Economia da Universidade Federal da Paraíba, ao longe Pedro a observava e caminhava em sua direção. Calça de linho azul escuro, blusa branca de botões dourados que combinavam com seu brinco pequeno se destacando em meio ao cabelo negro preso por uma caneta azul. Nas mãos muitos papéis e nos pés um toque de ansiedade pelo balanço constante que batia suave e insistentemente na cadeira da frente. O assunto parecia não querer entrar em sua mente e, por alguns segundos, ela soltou os papéis e colocou as mãos na mesa inclinando a cabeça num instante de descanso. Pedro aproveitou esse momento e sentou logo a sua frente sem que ela percebesse.
– Um chocolate pelos seus pensamentos inquietos? – sentado à frente de Sophi estava ele com as duas mãos apoiadas na mesa e o queixo sobre elas à espera do turbilhão de reclamações que viria pela frente.
– O que você quer “apóstolo Pedro”? – Sem erguer a cabeça ela responde deixando que seu stress ressalte com ironia ao amigo de longas datas.
– Sophi, você realmente está azeda, nem mesmo o apóstolo Pedro conseguiria se aproximar ou te aguentar. Vim em missão de paz, somente – disse quase se preparando para sair e deixá-la sozinha com seu azedume.
– Desculpa Pedro, desculpa! – ressaltou levantando-se e segurando em sua mão para que ficasse – Desculpa mesmo, estou cansada, há dias não estou conseguindo dormir bem, estou com muito trabalho e sem render, finalizar.
– E sem conseguir gostar, não é? –soltou a sua mão da dela e contornou a mesa comprida sentando-se ao seu lado. Cruzou os braços sobre a mesa como apoio e se pôs a olhá-la, enquanto ela silenciosamente, de olhos cabisbaixos, pensava em suas escolhas – Até hoje eu não entendo o porquê de você insistir neste curso Sophi. Você é inteligente, se esforça, é a melhor aluna, mas é tímida, não gosta de se expor, de falar em público, não tem prazer, se mata e o pior, não vive a vida, se dedica por um curso que só te enfurece, te estressa. Tudo é tão curto e transitório que se você parasse para pensar veria o quanto tem desperdiçado da vida. – Num impulso deixou que sua mão tocasse os cabelos dela colocando uma parte atrás da orelha que o impedia de ver o desenho do seu perfil.
