15 agosto 2012

Viver nos anos 60


Estive conversando com meu pai sobre os anos 60, e ele me contou bastante coisa que viveu. Foi muito divertido ouvir as histórias. 
Vamos aos relatos:

Meu pai nasceu em 1950, numa cidade pequena e arborizada de Minas Gerais, Joaíma. Aos 10 anos, ele estava fazendo de novo a terceira série pois tinha reprovado. O ensino nesta época era bastante rígido, e as crianças tinham que aprender de qualquer jeito, nem que tivessem que levar palmada para aprender tabuada. Até hoje meu pai às vezes fala de algumas coisas de biologia, história e matemática. Naquela época o ensino era mais avançado, no sentido de que o que aprendemos hoje na 7ª série, por exemplo, eles aprendiam na 4ª.
Na cidade só tinha escola até a 4ª série, então as crianças iam morar em outras cidades para estudar, só foi ter as outras séries em Joaíma quando ele já tinha 16 anos. Meu pai me contou que foi morar com os parentes em outra cidade, mas se desentendeu com um primo e parou de estudar, voltando para casa e se dedicando ao trabalho na loja de meu avô. Desde cedo ele e os irmãos aprenderam a costurar e administrar esta loja. 

Inclusive, os amigos de meu pai o chamaram uma vez para fazer piquenique no sábado, e era o dia em que a loja tinha mais movimento. Ele acordou cedo e foi, quando chegou ao meio dia em casa o pai dele o estava esperando. Meu pai disse que foi a surra de que ele mais se lembra.

Naquela época, cada um tinha sua turma. E acontecia de arrumarem briga entre elas, por exemplo, briga entre a turma do centro e a da pracinha. Numa dessas, marcaram uma briga na pracinha da igreja. Foi todo mundo, mas meu pai subiu numa árvore e se escondeu, assistindo tudo lá de cima. Mas acabou que nem teve a tal briga.

Eduardo Araújo - cantor famoso na época, inclusive era de Joaíma.
Quando chegava as férias, a cidade fervilhava! Os jovens que eram mandados para estudar fora em colégios de padres e freiras, nas redondezas, voltavam para a cidade. Meu pai contou que naquela época as pessoas gostavam demais de dançar, então esses estudantes iam para as casas das pessoas para os bailes, mas como ele e os amigos eram muito novos, só iam para frente das casas assistir. "Ninguém ia querer dançar com criança", disse meu pai.

Para se divertir, eles jogavam futebol depois da escola (meu pai estudava de manhã), e nos domingos à tarde iam às matinês (cinema) que passava filme preto e branco para crianças. Ele me contou que na matinê também faziam concursos, com jurados e tudo, de dança, canto, e meu pai um dia apresentou mímica. 
Foto de: Imagens Joaíma

Passado alguns anos, viram que os bailes dos estudantes faziam muito sucesso, então criaram os Clubes Sociais, mas ainda assim meu pai não pode ir porque era novo. Como antes, ficava de fora olhando. Isso quando não era Carnaval, porque nessa festa ele podia entrar. "O Carnaval daquela época era muito bom! Todo mundo fazia uma fantasia e ia para a festa. Ficavam pulando, dançando, e cantando no salão. Lá tinha aquelas bandas de instrumentos de sopro. Era tudo sem maldade, e as pessoas se divertiam sem precisar de beber."

Quando ficou mais velho, meu pai e os amigos, já com seus carros (Fuscas), iam de festa em festa para se divertir. "Tinha noite que a gente ia em três festas! Se uma não estava boa, a gente juntava o pessoal e ia em dois carros para outra. Às vezes estávamos em Joaíma numa festa, e um dizia: Tá tendo festa em tal cidade. Aí juntava a turma e ia para lá. Quando chegávamos, anunciavam na festa: O pessoal de Joaíma chegou!"

A roupa que usavam eram calça justa com boca de sino, cabelo o mais comprido que pudesse, e bigode. "Só fazia sucesso entre as garotas quem tinha bigode preto e farto". As mulheres usavam minisaia. "Minisaia era mostrando um pouco do joelho, não era que nem hoje, que minisaia é quase sem roupa."

Também acontecia de eles fazerem serenata. "A gente gostava demais de fazer serenata. E as pessoas gostavam bastante. Eram músicas muito bonitas. Aí falávamos: Hoje à noite vamos fazer serenata em tal lugar. E nossas amigas diziam: Passe lá em casa, eu vou dormir na sala para ouvir. De noite a gente saía com a vitrola, colocava perto da janela da pessoa e ficávamos lá ouvindo a música e bebendo Martini."

Bom, é isso. Meu pai gostou bastante dessa época; teve uma infância boa e se divertiu muito! 
Espero que tenham gostado do relato =)


2 comentários:

  1. Nossa, parece um tempo bem gostoso. Bem que as coisas hoje poderiam ser como os anos 60, sem maldade, com simplicidade e acredito que viviam muito mais a vida do que no tempo do hoje onde muitos querem alcançar sucesso e só trabalham, é o mundo dos estressado...

    Gostei do relato!!!
    Bjos Pri

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  2. Gostaria muito de ter vivido na época. Sem funk, rap e violência!

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