15 janeiro 2014

Paciência: Dificuldade na pós modernidade

Que lugar que se deveria aprender mais paciência do que no ambiente familiar? É mais muito fácil ser paciente com os amigos que você vê de vez em quando, com o chefe da qual se tem a obrigação da paciência por causa do medo da demissão, com os professores, no início de um relacionamento e o restante todo... menos com a família e os que entram na  intimidade de seu lar, constituindo em família também.

São eles capazes de enxergar todos seus defeitos e suas qualidades. A convivência dia a dia, os permitem ser aliados e ao mesmo tempo inimigos de você mesmo, porque eles também conhecem seus melhores e piores pontos e por isso sabem jogar bem com seu emocional. 

Quem no mundo te irrita mais que alguém da qual você conhece profundamente e o mais confuso é que apesar dessa irritação unem-se sentimentos diversos, como um jogo de amor e ódio. Isso acontece desde que o mundo é mundo, é normal.

Mas, atualmente a pós modernidade que Lyon ( 1988) define com aspectos do Iluminismo, colapso das hierarquias de conhecimento, o interesse pelo local em lugar do universal, a substituição do livro pela TV
ou regime de signos imagéticos, a migração do discurso para a representação, mudou todos os conceitos existentes criando um modelo de modernidade líquida onde Bauman exemplifica até com um amor líquido onde ele diz, através de uma entrevista, dessa forma:

_  Amor líquido é um amor “até segundo aviso”, o amor a partir do padrão dos bens de consumo: mantenha-os enquanto eles te trouxerem satisfação e os substitua por outros que prometem ainda mais satisfação. O amor com um espectro de eliminação imediata e, assim, também de ansiedade permanente, pairando acima dele. Na sua forma “líquida”, o amor tenta substituir a qualidade por quantidade — mas isso nunca pode ser feito, como seus praticantes mais cedo ou mais tarde acabam percebendo. É bom lembrar que o amor não é um “objeto encontrado”, mas um produto de um longo e muitas vezes difícil esforço e de boa vontade.

Nisso, os padrões de amor da qual exige-se esforço de boa vontade (como Bauman cita), torna-se supérfluo e egoísta, sempre em prol de seu próprio prazer gerando desconforto e muitas vezes impaciência por parte de alguém. Famílias simplesmente compram e buscam satisfazer seus vazios (que é próprio da condição humana) através de bens de consumo. Diálogos e convívios desenvolvem-se com pouco envolvimento emocional e medrosos, porque agora o novo tema é FELICIDADE SEMPRE, SEJA FELIZ e tals e  por isso não é permitido mais o sofrimento e a paciência onde fica?

Não se respeita mais o momento dos outros e nem tão pouco seus valores, não se tem mais paciência para insistir em relacionamentos duradouros, porque o ser feliz aqui e agora, não permite maiores doações, reconhecimentos de qualidades e individualidade. Inclusive digo aqui, que até ler se é cansativo hoje, a maioria das pessoas que verem este post não irão ler, por demasiado grande seja. 

Até por isso a educação talvez só piore a partir do tempo, porque quem hoje consegue viver e dizer:_ Fiz TUDO o que tinha que fazer hoje!

Essa loucura de precisão e rapidez, encontros rápidos, almoços e jantares correndo, criação de slogans e mais slogans dizendo: Tenha mais comodidade, Tenha mais praticidade. 

Enfim, tudo isso relata uma decadência das relações sem fim, por que como criar uma sociedade saudável com essa loucura que gera coisas instantâneas a todo momento? E o mais irônico é que em momentos como os nossos ainda se fala sobre sustentabilidade e vida saudável (Coma comidas integrais, faça academia, vá numa nutricionista...). Quem tem tempo para fazer tudo isso? Ter tempo para ser saudável?

Exige-se muito falando de um tempo de apenas 24h e os valores e quando digo valores, não pense de forma preconceituosa, estou também falando do respeito, um exemplo é que um funcionário lento hoje não tem vez no mercado, ninguém tem paciência de entender e respeitar sua própria noção de tempo. 
 
Por isso, casamentos tornaram-se mais objetos de satisfação do que amor e respeito ao próximo, como Bauman relata bem. A sociedade tornou-se imediatista, sem controle de seus próprios desejos e por isso o conflito com os mesmos e os  valores como a paciência pouco importa neste relógio frenético que hoje vivemos, porque sem a paciência o ego tomou conta e o que me faz bem, muito se importa, mas o próximo, se não for para marketing de minha própria imagem, pouco me importa. São reflexos de uma sociedade em sua própria decadência.


Entrevista completa: 












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