21 março 2012

Parem de falar mal da rotina - livro

Peguei este livro na faculdade. É de uma peça de teatro escrita por Elisa Lucinda.
Me encantei. É genial!
Te faz refletir sobre a condição do homem no mundo, sobre o que acontece a sua volta, e sempre traz um sorriso ao seu rosto quando ela narra algum fato da vida.

Dentre tantos trechos legais, selecionei um que achei demais! Confira:

Do outro lado da rua, numa esquina mais radical, apoiado num tronco milenar, entre latas, folhas de caixa de papelão, embalagens e uma pontual garrafa de cachaça, vive Júlio, um mendigo. Júlio é um clássico como tal. Sujo, vivendo no mundo paralelo que é o mundo da rua, rosto e tornozelos encharcados pelo álcool. O que me chama especial atenção é que esse pobre personagem porte um galhinho de arruda na orelha esquerda, que é pra ninguém lançar mau-olhado nas coisinhas dele, né?
Dentro dessa fina névoa da invisibilidade, ao vê-lo e cumprimentá-lo deu-se uma mágica: em meio à aparente imundície de seu "lar" do outro lado da rua, ele me oferece um jardim no olhar. Agrada a ele que eu o reconheça. Passamos a sempre nos cumprimentar. Uma vez sumiu. Perguntei ao Reinaldo. Ninguém viu. Passaram-se dois meses sem Júlio na paisagem. Pensei: Terá morrido? Tem parentes? Saberão? As pessoas podem se perder, mas, parente, aparentemente todo mundo tem. (...)
Num outubro ensolarado, pleno já de primavera estabelecida, ressurge Júlio sob a mesma árvore frondosa. O mendigo de minha rua por quem eu já nutria certo luto. "Júlio, você voltou! Que alegria! Sumiu, rapaz, onde é que você se meteu?". Desdentado, descansado e satisfeito, sorridente de boca e olhos, ele me respondeu: "Eu tava de férias".

2 comentários:

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